Break 71…

“Andava sempre a salvar abelhas, que caíam no tanque de regadio…” (Fada do Bosque)
O nosso cérebro é realmente algo de fantástico…

O dia em que passei a odiar as pessoas que utilizam armas para ferir e matar animais, foi quando tinha 12/13 anos…

Nesse Verão andava a brincar junto a um tanque de regadio quando ao longe avistei uma silhueta familiar…
Era “A Cadela”…
E ao correr na sua direcção comecei a dar-me conta de que algo não estava bem com ela…
Meu espírito partiu-se, minha alma abandonou-me…
“A Cadela” tinha sido atingida a tiro de caçadeira…
E assim que me aproximei do seu corpo ferido e já infestado de larvas de moscas, ela tombou e olhou nos meus olhos… lágrimas correram minha face… gritei por minha mãe… peguei nela e levei-a para junto da casa… era uma criança que mais podia fazer se não aconchegá-la e chorar…
E assim fiquei junto a ela enquanto a tentavam salvar da morte inevitável…
Morreu pouco depois…
Enterrei o seu corpo a cinco passos, de criança, da porta do galinheiro…

Foi neste dia que passei a Odiar as pessoas que matam animais…

E hoje mais de vinte anos depois, a frase da Fada, vez com que o meu cérebro, durante o sono, aviva-se-me a memória… e sonhei com Ela… “A Cadela”… e ao acordar tinha os olhos com lágrimas… como se fosse uma criança…