Break 71…

“Andava sempre a salvar abelhas, que caíam no tanque de regadio…” (Fada do Bosque)
O nosso cérebro é realmente algo de fantástico…

O dia em que passei a odiar as pessoas que utilizam armas para ferir e matar animais, foi quando tinha 12/13 anos…

Nesse Verão andava a brincar junto a um tanque de regadio quando ao longe avistei uma silhueta familiar…
Era “A Cadela”…
E ao correr na sua direcção comecei a dar-me conta de que algo não estava bem com ela…
Meu espírito partiu-se, minha alma abandonou-me…
“A Cadela” tinha sido atingida a tiro de caçadeira…
E assim que me aproximei do seu corpo ferido e já infestado de larvas de moscas, ela tombou e olhou nos meus olhos… lágrimas correram minha face… gritei por minha mãe… peguei nela e levei-a para junto da casa… era uma criança que mais podia fazer se não aconchegá-la e chorar…
E assim fiquei junto a ela enquanto a tentavam salvar da morte inevitável…
Morreu pouco depois…
Enterrei o seu corpo a cinco passos, de criança, da porta do galinheiro…

Foi neste dia que passei a Odiar as pessoas que matam animais…

E hoje mais de vinte anos depois, a frase da Fada, vez com que o meu cérebro, durante o sono, aviva-se-me a memória… e sonhei com Ela… “A Cadela”… e ao acordar tinha os olhos com lágrimas… como se fosse uma criança…

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7 comentários

  1. Obrigada VOZ… quem me pôs a chorar, agora foi o VOZ. Sei quantos cães e cadelas já morreram nos meus braços… seis… amores da minha vida. Mas aquele Snoopy com o pelo preto brilhante, (como a minha Lady) e a Ruka, uma setter de um ano e meio, ambos com uma alegria inexplicável… na agonia do envenenamento, e no desespero da impotência do meu ser, vieram á minha memória como se tivesse sido ontem…muitos anos em cima, mas foi como se fosse ontem.
    A esses, também os odeio de morte.

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  2. Belo texto, Voz, a partir da pedra de toque da Fada e de memórias dolorosas da infância.
    Mas ficaria mais belo se dele omitisse a palavra “ódio” e suas derivadas, e especialmente o sentimento associado. Lembre-se de Gandhi, e lembre-se que muitas pessoas por falta de educação e informação nesse sentido, não sabem o mal que fazem. O amor e a amizade ajudam a regenerar pessoas que outrora fizeram muito mal. O ódio não.
    Nunca fiz mal a um cão ou um gato, mas já matei muitas moscas e mosquitos. Hoje, até isso me custa.
    E você, será que nunca matou uma mosca ou mosquito?
    Um bom fim de semana.

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  3. Benjamina… gosta mais da palavra “antipatia”? Ou outra? Para mim tanto faz “raiva” “antipatia” “rancor” o sentimento é que conta…
    Quanto aos animais… Já TODOS, directa e indirectamente, matamos tantos e tantos, que assim sendo só nos resta mesmo um suicido colectivo e a extinção para pagarmos a dívida…
    Quando referiu Gandhi… lembrei-me logo do meu herói “Paul Watson”, ele também pensava que os ensinamentos do Gandhi lhe serviriam para alguma coisa, mas num segundo se deu conta, que no MUNDO actual não há Gandhi que nos acuda…

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  4. Mas também já fui como a Benjamina… agora também já não sou assim…
    Ainda há cerca de 2 horas entrou um mariposa para dentro de casa e a minha mulher tem “pavor” a estes animais, não sei porquê… Podia ter matado? Claro, é-nos tão fácil! Mas, não matei peguei na caixa onde ela estava pousada e levei à janela e lá foi ela a voar!!! Provavelmente… matei-a! Pois as andorinhas andam por aí e se calhar uma a apanhou logo a seguir… Conclusão: salvei ou matei?

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  5. Cara, que história…tô até sem palavras. Você sabe expressar muito bem o que sente. Parabéns.

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  6. Olá Aline Macedo… Seja bem-vinda ao “Tempo”…

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  7. Vou contar-lhe esta, Voz. Trabalhava o meu marido na sede de uma multinacional. O seu chefe e administrador era um homem honrado e com princípios, geralmente muito calmo. Um dia ao chegar á firma, era sempre o 1º viu o porteiro, do lado de dentro de vedação, com um bastão enorme a desancar um cão que tinha entrado e não conseguia sair, porque o homem não abriu os portões. O Sr. Vilela, era o seu nome, saiu do carro, saltou o portão de uma só penada e agarrou no bastão, fez ao porteiro exactamente o mesmo que este tinha feito ao animal e chamou a ambulancia. Agarrou no animal, meteu-o no carro e levou-o ao veterinário, pois tinha ossos partidos. Resumindo, todos lhe perguntaram o que o levou a proceder assim com o seu subordinado, ao que respondeu, não sei, foi tal o ódio, que não me segurei. Mas uma coisa é certa ele mereceu e eu ganhei um amigo, um amigo como nenhum, o meu Bobi, um cão raçado de pastor alemão que estava numa miséria e hoje é feliz e eu com ele.
    Eu era das tais pessoas, a quem o ódio teria despoletado exactamente a mesma reacção.

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