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Pesticida – Diz-se do ou todo o produto destinado a lutar contra os parasitas animais e vegetais das culturas.

Fertilizantes – que é próprio para tornar fértil.

Nem sei por onde começar!

Não sei se isto é o início…mas aqui vai…

Os Pesticidas (também conhecidos por produtos fitofarmacêuticos ou agro-químicos, mas que não são bem a mesma coisa) são (Directiva 91/414/CEE):
“As substâncias activas e as preparações contendo uma ou mais substâncias activas que sejam apresentadas sob a forma em que são fornecidas ao utilizador e se destinem a:
1.1. Proteger os vegetais ou os produtos vegetais contra todos os organismos prejudiciais ou a impedir a sua acção, desde que essas substâncias ou preparações não estejam a seguir definidas de outro modo;
1.2. Exercer uma acção sobre os processos vitais dos vegetais, desde que não se trate de substâncias nutritivas (por exemplo, os reguladores de crescimento);
1.3. Assegurar a conservação dos produtos vegetais, desde que tais substâncias ou preparações não sejam objecto de disposições especiais do Conselho ou da Comissão relativas a conservantes;
1.4. Destruir os vegetais indesejáveis ou;
1.5. Destruir partes de vegetais, reduzir ou impedir o crescimento indesejável dos vegetais.”

Lendo esta definição, parece que são produtos fabulosos. Mas o que parece na realidade não é…

A lista (publicada pela Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural) destes produtos com autorização de venda em Portugal contém mais de 1000 (mil). E a este número de produtos equivale quase o mesmo número de substâncias activas: difenilamina, pirimifos-metil, bifentrina+propiconazol, tebuconazol, clorantraniliprol, são algumas delas.
Apesar da definição “florida” da Directiva 91/414/CEE, o certo é que os pesticidas representam um risco real e efectivo para a saúde humana e para a Natureza.
Em 2007 as vendas de pesticidas totalizaram, em Portugal, as 16 689 toneladas. Dividindo estas vendas de pesticidas por tipo de funções, temos o seguinte:

Os fungicidas (que ou o que destrói os fungos ou fungões) representaram 69% das vendas;

Os herbicidas (diz-se de ou substância que destrói ervas daninhas) representaram 13% das vendas;

Os insecticidas/”acaricidas” (diz-se do preparado químico para destruir insectos) (com a inclusão do óleo
mineral) representaram 7,6%.

O restante volume é classificado como “outros” produtos…

Este volume de pesticidas representa a nível nacional uma relação de 4.8Kg/hectare de superfície agrícola… E aqui nem sequer estão contabilizados os pesticidas utilizados por particulares em terrenos não designados por agrícolas!

O consumo desde 2000 tem-se mantido praticamente neste nível +-16 000 toneladas/ano

De seguida podem ver a distribuição por município do risco de utilização

As superfícies agrícolas ocupadas com as culturas da vinha, batata, hortícolas e flores são das que apresentam maior risco.

Sabendo agora a utilização que fazemos de pesticidas em Portugal, o que podemos esperar de impacto sobre os Ecossistemas?

Boa coisa não é…

Um estudo americano que recentemente tive a infelicidade de ler (Silent Spring Revisited: Pesticide Use and Endangered Species) é realmente algo digno de um filme de terror, tal é o impacto terrível que os pesticidas têm nos Ecossistemas deste Planeta. O impacto é terrível pois é do tipo silencioso, e afecta em primeira linha seres vivos de dimensões pequenas, e nós Humanos simplesmente desprezamos os pequenos, posso afirmar que para a maioria nem existem.
Os pesticidas, quando aplicados, além de matarem aquilo para que foram criados, provocam danos e morte em muitas outras espécies animais e vegetais.
Outro aspecto grave é a capacidade de dispersão que os pesticidas atingem. Seja por ar, água ou cadeia alimentar.

Porém o filme que nos apresentam não é este. E porquê? Dinheiro… claro.

As empresas produtoras fazem testes, em animais e plantas, sobre o impacto da substância activa. Publicam esses testes e, as agências reguladoras, muitas vezes não efectuam os seus próprios testes, acreditam nos testes das empresas.
Estes testes, têm no entanto uma falha grave e ainda não corrigida, pois não avaliam o impacto da combinação de várias substâncias activas quando misturas, nem avaliam o impacto da decomposição da substância activa em subprodutos, que poderão ser tão ou mais graves que o produto originário.
E assim, com este jogo de faz de conta, vamos vendo que a utilização destes produtos é sempre considera segura para utilização.
No EUA estão identificadas mais de 300 espécies (conhecidas) directamente afectadas pelos pesticidas, massivamente, utilizados.
E por cá? O engraçado é que temos sempre uma visão distorcida da realidade. Porquê? A escassez de informação sobre a situação interna é absurda, e porque, sempre que se ouve ou lê algo sobre este tema é sempre referida a outros países/continentes, e assim ficamos sempre com a ideia distorcida que por cá nada se passa…

Mas, como é lógico, por cá também se passa, e muito…

Espécies do Reino Animalia com grau de “Em risco”(Endangered) ou superior, em sistemas de água doce:

Achondrostoma occidentale (Western Ruivaco)
Status: Endangered

Anaecypris hispanica
Status: Endangered

Anguilla anguilla (European Eel)
Status: Critically Endangered

Cobitis calderoni
Status: Endangered

Iberochondrostoma almacai (Mira Pardelha)
Status: Critically Endangered

Iberochondrostoma lusitanicus
Status: Critically Endangered

Oxyura leucocephala (White-headed Duck)
Status: Endangered

Squalius torgalensis
Status: Endangered

Espécies do Reino Plantae com grau de “Em risco”(Endangered) ou superior, em sistemas de água doce:

Thamnobryum fernandesii
Status: Endangered

Espécies do Reino Animalia com grau de “Em risco”(Endangered) ou superior, em sistemas terrestres:

Geronticus eremita (Northern Bald Ibis)
Status: Critically Endangered

Gonepteryx maderensis (Madeiran Brimstone)
Status: Endangered

Lynx pardinus (Iberian Lynx)
Status: Critically Endangered

Monachus monachus (Mediterranean Monk Seal)
Status: Critically Endangered

Neophron percnopterus (Egyptian Vulture)
Status: Endangered

Numenius tenuirostris (Slender-billed Curlew)
Status: Critically Endangered

Nyctalus azoreum (Azores Noctule)
Status: Endangered

Pararge xiphia (Madeiran Speckled Wood)
Status: Endangered

Pieris wollastoni (Madeiran Large White)
Status: Critically Endangered

Pipistrellus maderensis (Madeira Pipistrelle)
Status: Endangered

Podarcis carbonelli (LAGARTIJA DE CARBONELL)
Status: Endangered

Pterodroma cahow (Bermuda Petrel)
Status: Endangered

Pyrrhula murina (Azores Bullfinch)
Status: Critically Endangered

Vanellus gregarius (Sociable Lapwing)
Status: Critically Endangered

Espécies do Reino Plantae com grau de “Em risco”(Endangered) ou superior, em sistemas terrestres:

Bryoxiphium madeirense
Status: Endangered

Juniperus brevifolia
Status: Endangered

Juniperus cedrus (Cedro)
Status: Endangered

Picconia azorica
Status: Endangered

Pittosporum coriaceum
Status: Critically Endangered

Sorbus maderensis
Status: Critically Endangered

Thamnobryum fernandesii
Status: Endangered

(espécies afectadas pela poluição, actividades agrícolas e alteração dos sistemas naturais)
Deixo a seguir um vídeo, para terminar esta “grande seca”. Mais uma vez não de cá… mas facilmente aplicável aos nossos Ecossistemas.

(fontes de dados: INE, IUCN e estudos referenciados no texto)

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3 comentários

  1. E outra das consequências da utlizacao de pesticidas parece ser o Colony Collapse Disorder (CCD), provocando a morte de enxames de abelhas a um ritmo assustador. Já ouviste falar de um novo tipo de pesticida em que as sementes sao embebidas neste produto tóxico e depois plantadas, com a vantagem de que nao têm que voltar a ser vaporizadas novamente? Tudo indica que a utilizacao deste novo pesticida provoca a morte das abelhas, sendo uma das grandes causas do CCD. Imagino que os efeitos nos humanos também nao seja dos melhores😦

    Responder
  2. Rita Z

     /  Julho 24, 2012 - 22:00

    A civilização vai morrer aos poucos dB…. Mais nada a declarar…

    Responder
    • Olá Ritinha… Vai?!? Não vai… Está a morrer… Estamos já morrer… aí, aqui, por todo o lado… Os níveis de intoxicação já são tais que não deve haver muita malta que possa afirmar não ter tóxicos no organismo…
      É a maravilhosa “Primavera Silenciosa” que por aí vem… Em passos leves e praticamente inaudíveis…
      Bjhs

      Responder

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